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Caminhos da Serra do Mar

Publicado em 25/06/2013

 

ToursCaminhos da Serra do Mar

Até o final dos anos oitenta, a criação de áreas protegidas era uma estratégia para a conservação da biodiversidade. Todavia, seus principais planejadores perceberam que somente amostras parciais de ecossistemas fragmentados, de difícil implantação, especialmente nos países tropicais pobres, não eram suficientes para abrigar processos ecológicos e evolutivos abrangentes. Por isso, no caso de áreas protegidas já demarcadas, a efetivação de corredores ecológicos no entorno representam uma interessante alternativa para a manutenção dos referidos processos.

“Beleza e História revelados a cada passo”

Corredores ecológicos ou corredores de biodiversidade são ecossistemas naturais ou seminaturais que garantem a manutenção das populações biológicas e a ligação (conexão) física ou funcional entre porções remanescentes de um ambiente natural. Eles são geridos como unidades de planejamento para a gestão da biodiversidade, o uso sustentável dos recursos naturais e a repartição equitativa das riquezas dela oriunda.
Na prática, o conceito de corredor ecológico é aplicado em diversas escalas desde conectar dois pequenos fragmentos até diversas áreas protegidas e grandes fragmentos isolados. De qualquer forma, em qualquer escala, os corredores serão sempre instrumentos de manejo de paisagem e de conservação da biodiversidade.
Na região central do estado do Rio de Janeiro, onde também encontra-se a Serra do Mar, está localizado o Mosaico Central Fluminense, um conjunto de Unidades de Conservação criado com o intuito de ordenar o território, na busca pela sustentabilidade. Da mesma forma serve como uma administração conjunta e envolvente para as diferentes unidades de conservação. O Parque Estadual dos Três Picos não pode ignorar sua estreita relação com o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, por exemplo. Uma administração integrada é extremamente mais eficiente, até para garantir os aspectos biológicos, geográficos e sociais.
Já é sabido por todos que nos últimos anos, as atividades humanas promoveram a intensa fragmentação de áreas de Mata Atlântica, reduzindo sua cobertura florestal para somente 7 a 8% da original. No Estado do Rio de Janeiro, onde todo o território era coberto por esse bioma e seus ecossistemas associados (como brejos, restingas, mangues, campos de altitude e campos rupestres), restam poucas áreas da cobertura florestal, sob diferentes estágios sucessionais.
Uma das estratégias de conservação dos remanescentes de Mata Atlântica para a região do Mosaico da Mata Atlântica Central Fluminense é a integração das comunidades residentes no entorno das Unidades de 2

Conservação com a administração destas. Uma destas estratégias é o Uso Público nas UCs. Entendemos que, abrindo os nossos parques para a visitação e oferecendo serviços de qualidade aos apreciadores destas atividades estaremos favorecendo a preservação da mata atlântica na região e ganhando aliados na conservação ambiental.
A estratégia usada neste projeto será a de abrir a visitação ordenada uma série de trilhas da Serra do Mar, envolvendo o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, Parque Estadual dos Três Picos, Área de Preservação Ambiental de Petrópolis e outros formando um caminho, que será chamado de “Caminho da Serra do Mar”, interligando serras, picos, pequenos vilarejos, cidades, paisagens cenográficas, ambientes de megabiodiversidade, ao longo de aproximadamente 300 km. Essas trilhas, que hoje são usadas de forma ilícita, serão visitadas por caminhantes do mundo inteiro que colaborarão na consecução dos objetivos das unidades envolvidas.

2- CAMINHOS DA SERRA DO MAR: OBJETIVOS E METODOLOGIA

O Caminho da Serra do Mar será uma trilha como as descritas acima que passará por diversos municípios fluminenses e cortará algumas das Unidades de Conservação do Mosaico da Mata Atlântica Central Fluminense. Entre os ambientes visitados durante todo o percurso podemos destacar os diversos ecossistemas associados ao bioma Mata Atlântica, como mata de encosta, campos de altitude além de paredões rochosos, picos e cachoeiras.
O principal objetivo de criação desta trilha é o de favorecer a conservação ambiental na Serra do Mar Fluminense, integrando diversas unidades de conservação do mosaico da Mata Atlântica Central Fluminense e conferindo ao Uso Público ordenado dos espaços protegidos como uma estratégia de conservação. Além disso, o Caminho da Serra do Mar será um espaço para a prática do montanhismo, caminhadas, contemplação, recreação e lazer.
O início da trilha se dará no Caminho do Ouro, em Magé e percorrerá Petrópolis, Teresópolis e Friburgo, chegando ao Município de Casemiro de Abreu. Durante o seu traçado passará pela APA Petrópolis, Parque Nacional da Serra dos Órgãos, Parque Estadual dos Três Picos, APA Macaé de Cima, RPPNs, vilarejos, comunidades e propriedades particulares.
O traçado da trilha será consolidado a partir de um trabalho minucioso de levantamento das características dos lugares, principalmente em relação à utilização de trilhas já existentes e interligação entre as mesmas, à biodiversidade, a presença de comunidades tradicionais, disponibilidade de infraestrutura de apoio (campings, transporte, restaurantes, pousadas e abrigos) e considerando o desejo e disponibilidade de moradores, proprietários de terras particulares e gestores de Unidades de Conservação.
O planejamento, manejo, gestão e manutenção do Caminho da Serra do Mar terá como alicerce o Voluntariado, partilhado pelas ações realizadas pelos Núcleos Voluntários de Conservação organizados ao longo da cadeia de montanhas.
A trilha principal e seus eixos secundários apresentarão características distintas em sua extensão, ora possuindo sensíveis melhoramentos em sua estrutura, ora se mantendo praticamente primitiva, oportunizando assim, aos diferentes públicos, possibilidade de vivenciar a montanha de acordo com suas diferentes expectativas, limitações físicas, necessidades de segurança, conforto e disponibilidade de tempo. 3

Assim, o Caminho da Serra do Mar será composto por segmentos diferentes, cada qual com sua identidade, refletindo a grande diversidade e variedade encontrada ao longo das montanhas do estado do Rio de Janeiro. A trilha será adaptada às restrições ambientais, formas de relevo, disponibilidade hídrica, acessibilidade (pontos de entrada e saída) e pontos de apoio. Tudo para assegurar um nível elevado de qualidade, interação e conservação.

 

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